O Perigo do Parvovírus

Vi 3 casos de parvovírus no espaço de um mês. Este tópico precisa ser abordado.

O parvovírus canino apareceu no ano de 1978, e matou cachorros pelo mundo inteiro. Na altura em que tive o meu primeiro cão em 1985, já havia uma vacina eficaz no mercado. Mas, para razões nós desconhecidas, a criadora decidiu não vacinar a cadela, e a ninhada inteira apanhou o virus. Só 2 dos 10 cachorros sobreviveram. A convalescência estava tão prolongada que eu só recebi o meu cachorro com 4 meses de idade em vez de 2. A morte é derivada á combinação de desidratação (um vomitar incontrolável), sepsis (horrenda diarreia haemorrhagica onde as paredes do intestino ficam danificadas), e tempestade de citocina (os pulmões enchem de líquido, numa maneira similar como COVID-19 afecta humanos). Hoje em dia, a taxa de mortalidade continua a ser elevada, a maioridade dos que não são tratados acabam por falecer. Mesmo com tratamentos agressivo e cedo, até 50% dos animais podem morrer.

Durante anos, no Reino Unido, casos de parvovírus eram raramente vistos, excepto nas áreas deprivadas, onde os níveis de vacinação eram baixos. A ausência de casos não foi porque não havia vírus; este pode sobreviver no ambiente durante meses. Foi simplesmente porque haviam tantos cães vacinados que não teve oportunidade de se propagar. Alguém a visitar a casa da criadora do meu cachorro, com lama infectada no sapato, talvez pudesse ter sido a fonte da infecção. A contaminação vem das fezes dos infectados.

Em anos mais recentes, no Reino Unido, mais uma vez o nível de casos está a elevar. Como doenças vacináveis em crianças, isto é provocado por redução no nível de vacinação. Uma combinação de complacência “nunca vi um cão com esta doença aqui, deve de ser OK” e a oposição de vacinação “os veterinários dão vacinas a mais, não há necessidade, fazem só para ganhar dinheiro” é responsável pelos casos. E, é verdade há pessoas que dizem que este vírus NÃO EXISTE. À estas, eu diria “você tem sorte que nunca viu um cão a morrer á sua frente, desta horrível, EVITÁVEL doença.

Em relação a sobredosagem de vacinas – os fabricantes das vacinas continuam a fazer muitas investigações sobre a duração da imunidade à parvovirus (e a outras doenças). No ano 2000, todas as marcas necessitaram de uma dose anual. A partir de 2001, a posição começou a mudar. Leva muitos anos a fazer colecção de data antes de ter a certeza que o intervalo possa ser extendido – imagine a catástrofe provocada por uma decisão prematura. Algumas das marcas (incluindo a que 124Vet usa), oferecem uma vacina contra o parvovírus que dura 3 anos depois do primeiro curso de cachorro (primeira vacinação anual). Esta posição tem o suporte do WSAVA (World Small Animal Veterinary Association), que fazem guias mundiais de vacinas. O seu cão ainda precisa de uma vacina anual, mas os componentes necessários são reduzidos – a duração de imunidade contra leptospiróse por ex., é só de 1 ano. Se o seu cão estiver a receber uma vacina completa cada ano, isto tem de ser contestado com o veterinário.

A consulta anual também serve para um exam fisical total – uma oportunidade de encontrar e gerir/tratar condições antes que provoquem problemas críticos, como: doenças dentárias, degeneração cardíaca, artrite, caroços que você não viu, problemas com o peso como sempre, e verificação de control de parasitas.

A posição em Portugal não é como o Reino Unido. Aqui, a ameaça do parvovírus está sempre constante. Até o problema de cães abandonados e selvagens estiver controlado, haverá sempre um vasto nível de vírus e infecção. Dois dos 3 casos vistos no 124 Vet no mês de Maio tinham o mesmo dono. Este senhor tinha 5 cães, e estava desempregado por causa da situação do COVID – tentámos o ajudar ao máximo em respeito a finanças que estavam fracas, mas ambos infelizmente faleceram. Mais 2 em seguida ficaram doentes; um acabou por falecer. O único cão que não ficou doente foi o que recebeu uma vacina há 5 anos atrás. Cães de rua que faziam as suas necessidades ao lado da sua vedação espalharam a doença.

O parvovirus é real, mortal e evitável.

Por favor vacine os seus cães.

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