Leishmanióse – não provocado por picada de mosquito

Aqui no Algarve, e na maior parte de Portugal, esta é uma doença muito comum. É transmitida por uma picada de um flebótomo (não é um mosquito), normalmente não é curável, e pode ser fatal. Pode levar meses ou anos após a infecção para desenvolver a doença. Normalmente não é contagiosa, mas pode ser transmitida por sangue se um cão morder outro. Acreditamos que 65% de cães na área Mediterrânica até 3 anos de idade estão infectados. Também existe em gatos, mas não é comum. Os gatos mais susceptíveis são os com SIDA ou leukaemia. É também um zoonóse – humanos podem ser infectados por picada de um flebótomo. Normalmente afecta pessoas com problemas no sistema imunitário, e é mais comum em sítios onde existe malnutrição, pobreza, ou guerra.

A doença pode provocar problemas com a pele, como caspa e queda de pelo, inflamação dos olhos, problemas com a cédula óssea, sangrar do nariz, e insuficiência dos orgãos.

As fotos mostram algumas lesões nos ouvidos típicas no início da doença, e a inflamação que pode ocorrer na superfície (e interior) do olho.

Para fazer o diagnóstico pode ser complicado. Normalmente precisa de análises de sangue, e algumas vezes biópsias das glândulas linfáticas/ conjunctivas/ médula óssea.

Há vários tratamentos que dependem do temperamento do cão e de finanças. Hà medicamentos para suprimir a infecção, drogas para (quando indicadas) manter os olhos confortáveis ou dar suporte aos rins. Também há muitas análises de sangue para verificar o progresso.

Os medicamentos são, tipicamente, injecções duas vezes por dia durante um mês, ou líquido na comida durante um mês. Há, também, comprimidos que devem ser tomados para sempre. As injecções têm um nível de recaída mais baixo do que o líquido, mas alguns cães não gostam das injecções porque picam. Alguns cães nunca têm uma recaída. Outros têm muitas recaídas; estes cães têm um prognóstico pior.

Prevenção – há várias coisas que podemos fazer para reduzir o risco de ser infectado com leishmanióse. Com o entender do comportamento do flebótomo, podemos modificar o estilo de vida do cão, reduzindo o risco de uma picada.

  1. Os flebótomos são mais activos do pôr-do-sol até nascer-do-sol, e dormem durante o dia. Ponha o seu cão dentro de casa ao pôr-do-sol.
  2. Precisam de uma temperatura de mais de 9 graus para estar activos – há menos risco durante o inverno, mas – cuidado – o inverno de 2018-19 foi bastante quente – não pode ser complacente.
  3. São fracos voadores e não conseguem voar alto – mantenha o seu cão na parte de cima da casa durante a noite se for possível.

Algumas, mas não todas, coleiras repelem flebótomos. A coleira Seresto é 75% eficaz, uma das melhores no mercado. Dura 7 meses.

Algumas pipetas ‘spot-on’ também repelem este insecto chato durante um mês, como Vectra 3D (para cães), outras só durante 2 semanas.

Nos últimos anos, 2 vacinas contra leishmaniose estão agora disponíveis no mercado, e são mais ou menos 75% eficazes. Não impedem a infecção, mas previnem o desenvolvimento da doença. Uma analogia seria como uma vacina contra SIDA – a pessoa ainda está infectada com o VIH, mas a vacina prevente o desenvolvimento da doença.

Porque a doença tem implicações para a saúde humana mundial, a procura para uma cura continua. Até lá, o melhor que podemos fazer em primeiro será a prevenção.

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